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Resposta:
Cipriano Carlos Luckesi
O ato de avaliar é mais exigente que o ato de examinar
tanto para o professor como para o estudante. O ato de examinar,
do ponto de vista do professor, exige somente a elaboração,
aplicação, correção de provas,
atribuição de notas e registro dos dados; já
do ponto de vista do estudante exige responder as provas e
aguardar os resultados.
O ato de avaliar, por outro lado, exige do professor: elaborar
instrumentos adequados (ou seja, de qualidade satisfatória)
do ponto de vista da investigação do desempenho
do estudante; correção, reorientação
dos estudantes se necessária, re-avaliação.
E, do lado do estudante, exige dele estudo, dedicação,
investimento, aprofundamento, busca dos melhores resultados.
Assim sendo o ato de avaliar é muito mais exigente
que o ato de examinar, pois que o primeiro exige qualidade
de aprendizagem para o maior número de estudantes senão
de todos, o que implica em maior exigência tanto para
o professor como para o estudante. Não basta o "qualquer
resultado está bem", mas sim importa o melhor
resultado possível, o que implica em buscar qualidade
na prática educativa, o que, por sua vez, significa
investimento na busca de resultados satisfatórios.
Assim sendo, do ponto de vista pedagógico e da qualidade
dos resultados, o ato de avaliar é mais exigente que
o ato de examinar. É possível que essa exigência
traga alguma resistência do professor em transitar do
ato de examinar para o de avaliar. Contudo, as resistências
mais consistentes provêem de outros fatores: (1) psicologicamente,
do foto do professor, quando era estudante, ter sido submetido
a inúmeros atos examinativos; agora, no lugar de educador,
ele repete automaticamente esses atos; (2) historicamente,
somos herdeiros de uma longa história de exames, da
forma como ela é praticada na escola hoje, cujas primeiras
sistematizações se deram no século XVI,
com o nascimento da idade moderna. Exames existiam antes,
mas esse tipo de exame escolar, que vivenciamos em nossas
escolas hoje, foi sistematizado no decorrer do século
XVI; (3) o modelo de sociedade no qual vivemos. A sociedade
burguesa é excludente, os exames também o são.
Os exames reproduzem o modelo de sociedade. Atuar pedagogicamente
com a avaliação é atuar de forma includente,
o que significa reagir ao modo burguês de ser. E isso
dá muito trabalho. Para tanto, necessitamos de transformar
nossas crenças e conceitos sobre o estudante e sobre
nossa relação educativa com ele.
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