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Resposta:
Cipriano Carlos Luckesi
Não desejo pensar que o uso do exame é um meio
de proteção do professor, pois que ele não
nasceu, historicamente, com essa finalidade. O que, todavia,
nada impede de compreender que o ato de examinar, com suas
características específicas, possa resguardar
tanto o professor quanto o estudante da necessidade do diálogo
e da negociação.
O ato de examinar se encerra com a classificação
do estudante, tendo por base os dados do seu desempenho, coletados
pelos instrumentos utilizados para a coleta de informações
sobre sua aprendizagem. Para tanto, não há necessidade
de interação entre professor e estudante; o
que poderia significar uma proteção para o professor
não ter que se relacionar diretamente com o estudante
sobre essa sensível área que é a atribuição
de qualidade sobre o seu desempenho. Nesse contexto a prática
do exame poderia ter também nessa característica
de "proteção do professor".
Por outro lado, para se proceder a avaliação,
há necessidade da interação educador-educando;
há necessidade do diálogo para que se estabeleça,
quando necessário, a compreensão da perspectiva
com a qual cada um está abordando o tema trabalhado
nos instrumentos de coleta de dados para a avaliação:
o professor do ponto de vista da elaboração
de questões e o estudante do ponto de vista, segundo
o qual ele compreendeu e respondeu ao que pediu o professor.
Por vezes, o estudante compreende e responde as questões
de um ponto de vista que não é o do professor,
mas isso não quer dizer que está errado. Pode
querer dizer somente que há um outro ponto de vista.
Nesta perspectiva, o ato de avaliar não "protege"
o professor da necessidade do diálogo. Ao contrário,
o ato de avaliar a aprendizagem exige o diálogo.
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