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Resposta:
Cipriano Carlos Luckesi
Do ponto de vista pedagógico, de fato, não existe
nenhuma razão cabível para a reprovação.
Ela é um fenômeno que, historicamente, tem a
ver com a ideologia de que, se o estudante não aprende,
isso se dá exclusivamente por responsabilidade dele,
ou, mais que isso, por descuidado ou má vontade dele.
As frases que revelam isso são; "os estudantes
não querem mais nada"; "eles não estudam";
"não têm interesse", etc. Existem muitos
outros fatores na prática pedagógica, além
do educando, que devem ser levados em consideração,
caso tenhamos como meta a plena aprendizagem. Muitas outras
razões podem conduzir ao fracasso escolar, sem que
seja diretamente responsabilidade do estudante. A exemplo,
podemos lembrar as políticas públicas voltadas
para a educação, que incluem os baixos salários
para os educadores em geral, os espaços físicos
insatisfatórios onde as atividades pedagógicas
são realizadas, a carência de bibliotecas nas
escolas, a formação insatisfatória dos
educadores, investimento insatisfatório dos educadores
tendo em vista a efetiva aprendizagem dos educandos, etc.
A reprovação não existe em sistemas escolares
que efetivamente investem na qualidade do ensino e da aprendizagem.
Veja-se o exemplo, hoje, bastante divulgado no Brasil, da
chamada "Escola da Ponte", em Portugal. O objetivo
da escola é a aprendizagem do educando e o seu conseqüente
desenvolvimento e investem nisso, através de atividades
didáticas, avaliação e reorientação.
Também entre nós existem experiências
educativas, onde a reprovação é uma palavra
que já foi riscada do dicionário, em função
do investimento na qualidade do ensino. Assim seno, a reprovação,
por si, não faz sentido em nenhuma prática educativa,
desde que o objetivo seja a aprendizagem e o desenvolvimento
do educando. Se a meta é essa, não faz sentido
abortá-la pela reprovação. Aliás,
importa observar que os atos de ensinar, investindo na aprendizagem,
e de reprovar são fenômenos paradoxais, opostos,
contrários, contraditórios. A idéia de
que a reprovação gera medo no educando e, supostamente,
por isso, ele se dedicará ao estudo e aprendizagem
não faz sentido numa educação centrada
na pessoa do educando. Ele necessita de aprender e desenvolver-se
para expressar-se como um ser autônomo e não
como um ser submisso. A submissão e o medo não
dão sustentação à vida; o que
sustenta a vida é a autonomia saudável, que
permite a expressão de cada um.
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